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Sem Querer Também é Falta: O Cruel (mas Real) Mundo Corporativo

Seja muito bem-vindo(a) à Coluna COMPETÊNCIA & GESTÃO.

Por: Rodrigo Kallas e Elson Teixeira

Esperamos que curta e sirva de inspiração para o seu dia.



Você já ouviu aquela frase no futebol: "A bola não entrou por um detalhe"? No campo, a torcida até lamenta, mas o placar não muda. No mundo corporativo, a regra é rigorosamente a mesma, embora muito mais silenciosa e, às vezes, solitária.

O título deste artigo carrega uma verdade dura: Sem querer também é falta.


1. A Ditadura do "Quase" e a Precisão Cirúrgica

No dia a dia das empresas, somos inundados por boas intenções. Temos planos brilhantes, equipes esforçadas e profissionais que "vestem a camisa", mas na hora da avaliação de desempenho ou do fechamento do trimestre, a planilha de Excel é binária. Ela não tem uma coluna para "Intenção" ou "Esforço sem Entrega". Ela só entende o "Sim" ou o "Não".


A Analogia do Cirurgião: Imagine um cirurgião cardíaco que realiza 99% de uma operação com perfeição técnica, mas falha no último ponto da sutura. Ele pode dizer à família: "Foi sem querer, eu me esforcei 99% do trajeto"? Para o paciente, esse 1% que faltou define a diferença entre a vida e a fatalidade.


No Mundo Empresarial: Um processo de M&A (Fusão e Aquisição) que colapsa na última assinatura após meses de auditoria é uma "falha por 1%". O mercado não premia o esforço da negociação; ele só reconhece o valor gerado após a batida do martelo. No mercado, o "quase" não paga as contas, não gera bônus e, infelizmente, não constrói autoridade.


2. A Analogia do Gol e o Abismo da Justificativa

Como costumo dizer nas minhas aulas e palestras: Sucesso é Concretização. Pense num batedor de pênaltis. Ele corre, chuta com perfeição técnica, a bola faz uma curva linda, mas... bate na trave e sai. O estádio solta um "Uhhhh!", mas ninguém corre para abraçar o batedor. O goleiro não sofreu o gol. O placar continua o mesmo.


A Analogia da Engenharia Espacial: Um foguete que atinge 99% da velocidade de escape, mas não entra em órbita, volta para a Terra como uma carcaça cara. Ele não "quase voou"; ele falhou.


No Escritório: O "bater na trave" é aquele relatório enviado com um erro crucial de dados, a meta de vendas batida em 98% ou o lançamento de um produto que ocorre um dia após o encerramento de uma janela estratégica de mercado. A intenção pode ter sido a melhor do mundo, mas para o ecossistema de negócios, o resultado foi uma "falta". O mundo corporativo é cruel porque ele ignora o processo quando o desfecho falha em converter.


3. Por que o "Sem Querer" Não Basta para o CEO?

A cobrança por resultados não é uma perseguição pessoal; é a engrenagem da sobrevivência sistêmica. Uma empresa que vive de "quases" é uma empresa que não se sustenta.

  • Logística: Entregar a carga "quase no prazo" significa multas e quebra de contrato.

  • Compliance: Estar "quase em conformidade" com a LGPD significa estar exposto a multas milionárias.

  • Vendas: O "quase fechado" não entra no fluxo de caixa para pagar os salários no final do mês.


Se "sem querer" evitasse a falta, o erro operacional não teria custo. Mas o custo existe, e ele é pago com a perda de competitividade e de credibilidade da liderança.


4. A Virada: O Algoritmo da Performance (33/33/33)

Se o mundo corporativo é cruel com quem não entrega, ele é generoso e transformador com quem aprende a ajustar o chute. A diferença entre quem fica no "quase" e quem chega lá não é a sorte, é a Ajustagem Tática.


Para sairmos do mundo das faltas e entrarmos no mundo dos gols, precisamos calibrar três variáveis:

  1. Vontade Estratégica (33%): Não é apenas querer fazer, é a energia cinética de quem entende o propósito. No business, é o commitment da equipe com o KPI.

  2. Competência Circunstancial (33%): É o aproveitamento eficaz das oportunidades. Um atacante competente sabe que, se o campo está molhado, ele deve chutar rasteiro. Um gestor competente sabe que, se o câmbio oscila, ele deve travar o hedge. Saber é ferramenta; competência é o uso da ferramenta para mudar o placar.

  3. Persistência Tática (33%): É o foco até o apito final. A maioria das faltas ocorre por cansaço ou distração no último minuto do jogo. Guardar fôlego para a finalização é o que separa o amador do profissional de elite. Lembre-se: só acaba quando termina.


5. O Placar está à sua Espera

Sim, o mundo dos negócios cobra o acerto. Sim, a meta é implacável. Mas a boa notícia é que você tem o poder de atualizar a sua definição de gestão. Não se contente em ser o profissional das "justificativas brilhantes". Seja aquele que, mesmo diante de um cenário de crise ou de recursos escassos, ajusta a rota, calibra a força e coloca a bola na rede. O "sem querer" pode ser falta, mas o seu compromisso com a concretização é o que vai te levar ao topo do pódio corporativo.


O placar do mercado está aberto. E eu estou aqui para te dizer: a próxima decisão que você tomar pode ser o gol da sua carreira. Basta decidir que o "quase" não faz mais parte do seu dicionário tático.

Vamos ao gol?

 
 
 

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